Blog de TõeRoberto

10
Mai 12

As ruas da infância envelheceram.
O verde da inocência se foi; a solidão é de silêncio.
O calor humano se esconde atrás das janelas fechadas.
As pedras, frias; as lembranças, ruínas.
Caminho trôpego pela rua sem nome.
Apenas o estranho na cidade esquecida.
Não choro, faltam-me lágrimas.
A dor do que se foi anda de mãos dadas comigo.
Rumino o passado.

TõeRoberto

Publicado por TõeRoberto às 23:54

03
Mai 12

As borboletas multicoloridas chegaram pela manhã.
Polinizaram minha alma e saíram em algazarra pela cidade adormecida.
E polinizaram a dureza do concreto, a frieza do asfalto, o cinza.
Em dois segundos, 10 poemas brotaram em meus olhos.
Um campo de girassóis tomou conta da cidade.
E a vida se tornou antigamente.

TõeRoberto

Publicado por TõeRoberto às 21:00

28
Abr 12

Corrói-me a alma, a tristeza.
A tristeza das cores que se foram com os anos.
Tudo é triste, nada mais triste.
A tristeza da tarde é quadro de solitária precisão.
Meus olhos, alinhados à tarde, são sombras de brilhos.
A cidade em que piso é plúmbea.
Os homens, pedras cravadas no concreto.
Pincelo palavras nos rostos endurecidos.
Pinto de cinza as delicadezas.
Redesenho o espaço à minha maneira.
Repasso ao todo, com maestria, o meu senso de tristeza.
Dou o meu toque de apatia nas paredes mortas das ruas.
Sou o poeta do caos sem cores.
Dou o último retoque no sol.
Nunca mais há de brilhar.

TõeRoberto 

Publicado por TõeRoberto às 20:07

20
Abr 12

Olho para trás, vejo os passos na areia.
Minha imagem me acompanha passo a passo.
O espaço que piso jamais fica vazio.
Milhares de imagens me acompanham.
Sou apenas o homem diluído no espaço.
Meus milhões de vultos são eternos.
Vão estar no universo até o fim dos tempos.
Um abraçado ao outro em contínua solidão.
A mesma que carrego sozinho à beira-mar...
Arrancando amarguras do meu coração.

TõeRoberto

Publicado por TõeRoberto às 23:56

13
Abr 12

Olho no espelho a minha essência fria.
Pisco o olho esquerdo, responde o direito.
Sou um corpo ao contrário.
O homem às avessas.
Na expressão do rosto, a agonia é gêmea.
A face tristonha.
O coração amargo.
O olhar perdido...
Estraçalho o espelho.
Agora, sou mil.
Não sei se aguento tantos eus.

TõeRoberto

Publicado por TõeRoberto às 23:58

06
Abr 12

Doce manhã se apresenta no horizonte.
A vida é impressionante.
Um simples amanhecer vale por uma vida inteira.
Ou, melhor, uma vida inteira não vale um amanhecer.
É o que eu penso olhando o mar.
Manhã, mar, sol, horizonte, vida...
A simbiose perfeita.
Pena que atrapalho a espetáculo.

TõeRoberto

Publicado por TõeRoberto às 19:04

30
Mar 12

Cansado da mesmice dos mesmos lugares, repenso meus caminhos.
A vida, interessante, parece igual em todos os lugares, mas não é.
A vida em certos lugares é cinza, em outros são milhões de arco-íris entrelaçados colorindo os olhos de cabo a rabo.
Repenso os mesmos lugares, quero fugir deles.
Quero a vida explodindo em cores a ponto de o oceano se confundir com o céu.
Decidido, enfio a viola no saco disposto a cantar em outra freguesia.
Saio à procura dos arco-íris coloridos.
Encontrando-os, vou retirar a viola do saco e fazer lírica serenata à vida mergulhada no infinito das cores.
A vida, a colorida, merece a linda música.
A cinza é parceira da morte...
E eu, na mesmice dos lugares, já a cantei em prosa e verso...
Não tenho mais acordes pra ela.
Pelo menos, por enquanto.

TõeRoberto

Publicado por TõeRoberto às 17:03

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Poeta, esses exercícios de sua alma te trouxeram a...
Minha linha do horizonte deve ser inclinada, como...
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