A loucura me sublima

06
Dez 09

Há 3 dias não como, não durmo e não bebo.
Cansado de tanta opulência, quero sentir a dor dos desesperados.
Quero sentir a dor dos que vivem do outro lado, os renegados pela vida.
Os sem eira nem beira.
Os desvalidos de amor, os necessitados crônicos, os sem motivo nenhum para viver.
Quero entender a dor em toda a sua extensão.
A dor física, da solidão, do abandono...
Quero sentir a dor, o único bem dos sem-nada.
Quero sofrer, expor as minhas vísceras.
Quero pendurá-las nos postes, nas paredes dos viadutos, nas portas dos que tudo têm.
Quero viver e mostrar a verdadeira face do horror, da agonia, da angústia na sua forma mais pura.
Quero desnudar o ser humano, colocá-lo diante de todos os olhos na sua forma mais primitiva, mais aterrorizante.
Quero documentar as consequências de todos as atos desumanos praticados pela humanidade.
Assim, talvez eu durma em paz no meio dos meus lençóis de seda.
Talvez eu possa me olhar no espelho amanhã de manhã.
E talvez eu possa almoçar sem nenhum remorso.

Publicado por Antonio Medeiro às 09:43

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