A loucura me sublima

20
Out 09

No papel escrevo:
A loucura não é um fim.
É apenas um meio de sobreviver no mundo caótico da sanidade.
A sanidade se faz necessária para os loucos ao contrário.
Os normais.
Os que fazem da normalidade a loucura mais terrível.
Eu sou louco.
Assumido!
E morro de medo de ser normal.
Que ser normal é estar acorrentado a todas as prisões da vida.
Com um belo sorriso nos lábios.
Num ensolarado domingo de outubro.

Publicado por Antonio Medeiro às 09:16
Música: Variada

19
Out 09

Aos olhos dos que me olham o que sou?
Uma aberração?
Uma ilusão de ótica?
Estou suspenso no ar.
Atado a um pequeno suspiro que deixei escapar.
Num momento de culpas!
Ali me assustei.
E caí pra cima.
Uma queda às avessas.
E suspirei.
E esse suspiro me sustenta a vida.
E me coloca na cena como um pequeno deslize.
Uma vírgula fora do lugar.

Publicado por Antonio Medeiro às 08:01
Música: Variada

18
Out 09

Uma coisa eu sei:
Eu nunca me entusiasmo com a aparente beleza das coisas.
Primeiro eu as abro e examino as vísceras.
E nunca erro!
Dentro delas, sempre!, sempre!, lá está: o feio.
O feio na sua forma mais feia.
Sempre!
E no meio da feiura do interior das coisas sempre me encontro.
Como um coração que pulsa.
Envenenando a vida com o meu sangue ruim.
E feio!

Publicado por Antonio Medeiro às 10:04
Música: Variada

17
Out 09

Não há nada mais humano que não saber.
É o exercício mais antigo da minha insignificância.
Às vezes não sei tudo de nada, outras não sei nada de tudo.
O sonho me leva aos primórdios do meu inútil conhecimento.
Sou uma brisa lenta atravessando os campos.
Canto cantigas numa estrada antiga.
Rabisco letras sem sentido na poeira densa dos escombros adormecidos.
Espalho papiros pela nudez da paisagem.
Acordo sempre nulo.
Sou apenas um poeta que não sabe.
E escreve o poema de todas as vidas.
Numa língua morta.

Publicado por Antonio Medeiro às 10:53

16
Out 09

A cada manhã que amanheço a vida não é a mesma de ontem.
Ontem eu fui, hoje eu sou.
E continuo nada sabendo do rosto sem contorno das coisas.
E continuo nada sabendo do meu destino sem mapas.
Sou apenas um homem que sempre amanhece não sendo.
E cumpre silenciosamente o seu sacrifício diário.
De ser homem não sendo e de carregar este fardo pelas futuras manhãs.
Sem trégua, mesmo não sendo.

Publicado por Antonio Medeiro às 12:53
Música: Variada

15
Out 09

Mais uma vez o dia se fez.
E, ao longe, a linha que separa o mar do infinito é um cordão que risca milimetricamente a tela do horizonte.
Sou um observador de infinitos.
E diariamente os contabilizo na alma.
E os coleciono para que eu nunca me imponha limites.
E possa voar, sempre, para depois do incansável mar azul.
Que é onde moram os infinitos.
E é lá onde eu encontro a minha poesia.
No meu interminável olhar.

Publicado por Antonio Medeiro às 13:52
Música: Variada

14
Out 09

E hoje, no início dos tempos, esqueço os versos e os transformo em pedras.
E convivo com a dureza das palavras.
Ora me machucam no silêncio da noite.
Ora se tornam armas com as quais eu sangro as sutilezas da alma.
E as empunho com força.
E sangro e faço sangrar.
É a lei da pedra, nada posso fazer.
A não ser pisar nas pontas das suas cruas fronteiras.
E me autoflagelar nas asas da sua dureza
Do que é feito as humanas palavras.  

Publicado por Antonio Medeiro às 12:57
Música: Variada

Outubro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13


26
27
29
30


Pesquisar
 
Comentários recentes
Gostei muito do texto! Parabéns!
...''Novamente vou partir à procura da felicidade....
"Tu és pó e ao pó "reverteres" Em verdade é só iss...
Meu amigo, se deixar-mos a vida nos levar, poderem...
Gostei do novo visual do blog... E tenho gostado s...
Posts mais comentados
2 comentários
2 comentários
1 cometário
blogs SAPO
subscrever feeds