A loucura me sublima

25
Mar 11

Eu, encolhido num cantinho de mim mesmo, estendi as duas mãos e tentei afagar a vida.
Abri, fechei as mãos diversas vezes; nada! não consegui tocar a vida.
Abri os olhos, tentei enxergá-la; nada!
Afinei os ouvidos, tentei ouvi-la; nada!
Alertei as narinas, pensei o cheiro; nada!
Apurei o paladar, abri a boca, procurei o gosto e quase senti; ficou preso na ponta da língua.
Ansioso, abri novamente a boca...
Mais, e mais, e mais, e mais, e mais...
E ela veio...
Entrou como um veneno mortal e rápido...
Entrou com um gosto amargo (não sabia que o gosto da vida era amargo, pensava que era doce) pelos meus lábios, minha boca, língua, garganta e me sufocou no mar da minha própria ânsia de viver.
Ainda tentei emitir um som...
Mas o único som foi uma onda de baba que bateu na parede dos dentes e escorreu pelo queixo...
Praia calma em dia de maré baixa.
E não havia gaivotas no céu da manhã.

Publicado por Antonio Medeiro às 03:32

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